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Preocupação ambiental também pode gerar lucro

Além de preservar a natureza, a Tecnocar Autoservice também vende o óleo para o re-refino.


Reciclar.
Essa idéia é amplamente divulgada pelos ambientalistas, já foi assimilada no dia-a-dia dos catadores de latas de alumínio, está presente no cotidiano de grandes empresas sérias e responsáveis e há algum tempo se estendeu à coleta seletiva de lixo promovida pela Prefeitura de São Paulo.
No entanto, a maioria das pessoas ainda não aderiu a esse comportamento. Tanto que o Brasil produz cerca de 100.000 toneladas de lixo por dia, mas recicla menos de 5% dos detritos – valor muito baixo se comparado à quantidade de material reciclado nos Estados Unidos e na Europa (cerca de 40%).


De tudo que é jogado fora diariamente, pelo menos 35% poderia ser reciclado ou reutilizado e os outros 35% serem transformados em adubo orgânico. Como a tendência é que o conceito se espalhe e faça cada vez mais parte da consciência das pessoas, nada mais natural do que ser introduzido também no cotidiano das oficinas. Ainda são poucos os reparadores que adotaram procedimentos de reciclagem. Contudo, existem bons exemplos a serem seguidos no setor e diversas informações a respeito do assunto podem ser obtidas em entidades ligadas à área automotiva.
A Tecnocar Autoservice, localizada no bairro da Vila Zelina, na cidade de São Paulo, é um caso para se espelhar. Roberto Kazlauskas Júnior, proprietário da oficina inaugurada há apenas dois meses, preocupou-se com o aspecto ambiental do seu empreendimento desde a sua construção. Por isso, decidiu instalar um sistema de retenção de areia e óleo sob o solo do pátio antes do término das reformas para a abertura. "É um processo de separação da água e de produtos químicos como óleos, fluidos de freio, de radiador etc. (leia o box ao lado). Com o sistema, somente a água é encaminhada para o esgoto", revela Roberto. Ele diz que, como tinha o interesse em introduzir essa técnica em sua oficina, procurou as orientações sobre a forma de realizá-la no site do Sindirepa-SP (www.sindirepa-sp.org.br, link "Ambiental").


"Fiz um investimento inicial, na época em que a oficina ainda estava em obras, de R$ 4.000 a R$ 5.000 para alojar os tanques e fazer a tubulação necessária. Agora não preciso ter nenhum trabalho, o sistema se encarrega de tudo. Acredito que valha a pena. É o meio em que vivemos que precisa ser protegido, o lugar que vamos deixar para os nossos filhos e netos", completa.
Ele acredita que uma empresa com o tamanho correspondente ao da sua – 740 m² – gaste de R$ 8.000 a R$ 10.000 para implantar o sistema em seu pátio. Depois, além de ajudar a preservar a natureza, ainda é possível vender o óleo para o re-refino. Atualmente, a reparadora, que optou por ter até mesmo telhas ecológicas, aguarda a chegada dos tambores encomendados para armazenar os materiais já separados entre orgânico, plástico, papel, vidro e metal. "O papel é dirigido para a coleta seletiva de lixo e estamos procurando quem recolha os detritos de metal", explica Roberto. Além disso, ele relata que pretende passar a comprar papel A4 – tipo de folha muito utilizada na oficina – reciclado: "Também quero produzir nossos folders e malasdiretas em papel reciclado". Roberto acredita que ser ecologicamente correta é o grande diferencial da sua empresa. "Como é uma postura nova, que está em desenvolvimento, estamos estudando como divulgá-la. Mas o objetivo é apresentar em prospectos distribuídos aos clientes que, além de oferecer bons serviços e ter um preço competitivo, a reparadora também tem a preocupação com o meio ambiente."


Entenda
Para separar os materiais e encaminhá-los para a coleta seletiva, é preciso ter alguns cuidados. Veja abaixo o que pode ser reaproveitado e quanto tempo cada material leva para se decompor na natureza.


Papel
Tempo de decomposição: de 3 a 6 meses.
Reciclável: jornais, revistas, listas telefônicas, papel sulfite, papel de fax, folhas de caderno, formulários de computador, caixas em geral, aparas de papel, fotocópias, envelopes e cartazes velhos.
Não é reciclável: vegetal, celofane, encerados, papel-carbono, fotografias e papéis sanitários usados.


Plástico
Tempo de decomposição: mais de 100 anos.
Reciclável: copos, garrafas, sacos e sacolas, frascos de produtos, tampas, potes, canos e tubos de PVC e embalagens Pet.
Não é reciclável: celofane, embalagens plásticas metalizadas e plásticos usados na indústria eletroeletrônica e na produção de computadores, telefones e eletrodomésticos.


Vidro
Tempo de decomposição: mais de 4.000 anos.
Reciclável: garrafas, potes de conservas, embalagens, copos, cacos dos produtos citados e pára-brisas.
Não é reciclável: espelhos, vidros de janelas e de automóveis, tubos de televisão e válvulas, cristal, vidros temperados planos ou de utensílios domésticos.


Metais
Tempo de decomposição: não se decompõem.
Reciclável: tampinhas de garrafas, latas, enlatados, panelas sem cabo, ferragens, arames, chapas, canos, pregos e cobre.


Lixo orgânico
Tempo de decomposição: de 6 a 12 meses.
Os resíduos orgânicos podem se tornar adubo com grande capacidade de reposição de sais minerais e vitaminas.


O que fazer com o lixo?
Existem diversas organizações que prestam orientação, gratuitamente, sobre a implantação da coleta seletiva de lixo. No site www.coletaseletiva.cjb.net é possível encontrar uma relação de quem retira sucatas. Abaixo, estão também duas outras instituições que fornecem instruções sobre a coleta seletiva:
Instituto Gea, Ética e Meio Ambiente
Tel.: (11) 3058-1088
Site: www.institutogea.org.br
E-mail: institutogea@uol.com.br

Presta atendimento à população, a condomínios, escolas e empresas, esclarecendo dúvidas e auxiliando na montagem de sistemas de coleta seletiva.
Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem)
Tel.: (11) 3889-7806
Site: www.cempre.org.br
E-mail: cempre@cempre.org.br

Dedica-se à promoção da reciclagem, seguindo o conceito de gerenciamento integrado do lixo.
Dicas
• toda embalagem reciclável, antes de ser jogada no lixo seletivo, deve ser lavada;
• os restos de alimento também podem ser reciclados. Com poucos recursos é possível transformá-los em adubo;
• não jogue as baterias no lixo comum. Muitas empresas produtoras já estão se responsabilizando pelo recolhimento;
• não separe o lixo sem ter planejado primeiro para onde mandar;
• para que, depois de implantado, o projeto de coleta seletiva não perca a "força", é importante fazer com que as informações sobre os resultados e o andamento do programa sejam de conhecimento geral dos funcionários da oficina.


Como separar a água de produtos químicos
O processo de tratamento de efluentes baseia-se no recebimento da água contaminada com materiais sólidos que por meio da tubulação chega a uma caixa de retenção. Efluente líquido é o nome dado à água que foi usada para a realização de uma atividade no ambiente da empresa, como na lavagem de peças que estavam contaminadas com graxa, óleo ou querosene.
No primeiro estágio, o material sólido (areia e outros) fica retido no fundo. No segundo a água entra contaminada com hidrocarbonetos (óleo, solvente etc.) que, por possuírem uma densidade mais leve, permanecem na superfície e são desviados para uma caixa de retenção, podendo ser vendidos para o re-refino.
Essas etapas de separações não garantem uma qualidade da água para reuso, mas atendem à legislação ambiental e assim o setor da reparação automotiva mostra-se consciente e participante. Saiba os procedimentos de como montar o sistema em sua oficina no site do Sindirepa-SP.


Fonte: Jornal Oficina Brasil

 

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