Veículos fora das especificações mínimas
de segurança ameaçam a vida, contribuindo para o alarmante
painel de acidentes com vítimas. Embora os dados nacionais
disponíveis de aferição de acidentes deixem
a desejar, pesquisas realizadas em 2002, no estado de São
Paulo, indicaram que o fator veículo esteve presente em 27%
dos acidentes com vítimas analisados.
Paralelamente, as quebras provocadas por falhas mecânicas
e o desgaste de equipamentos, como freios e pneus, emperram o trânsito,
impondo danos adicionais à população e ao poder
público. Estudo realizado pelo IPEA/ANTP no ano passado estima
gastos anuais superiores a R$ 5 bilhões só com acidentes
em áreas urbanas do país. Para se ter uma idéia,
só a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) realiza
mais de 700 intervenções por dia para a retirada de
veículos quebrados nas avenidas e ruas da cidade de São
Paulo.
Só na Região Metropolitana de São Paulo há
mais de seis milhões de veículos, e cada um deles
lança na atmosfera enorme quantidade de monóxido de
carbono, aldeídos, óxidos de nitrogênio e de
hidrocarbonos. Isso sem contar os efeitos ainda imensuráveis
na camada de ozônio. Uma equação que fica ainda
mais grave quando não se observam, com rigor, as especificações
técnicas de emissão de poluentes.
A inspeção veicular é essencial para encarar
esses problemas de frente. É preciso harmonizar, como manda
a lei, as duas inspeções de segurança e ambiental.
Não há motivos para adiá-la. Já há
definições, discutidas durante mais de 15 anos, quanto
às normas e padrões técnicos, inclusive normas
da ABNT, para implantá-la, incluindo as exigências
para a redução de emissão de poluentes.
Não é preciso esperar mais. Estou convencido de que
é possível estabelecer um sistema para a inspeção
dos veículos sem onerar o contribuinte e, em curto prazo,
contabilizar ganhos para a população e para o poder
público.
Roberto Salvador
Scaringella
Presidente da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego